Após anos de poder em casa, a Red Bull terá de dividir espaço com a Monster na Tailândia pela primeira vez
E agora, em 2026, um movimento que parecia improvável finalmente aconteceu: a Monster Energy, segunda maior marca de energético do mundo..


A bebida energética mais famosa do planeta nasceu na Tailândia. Mas, ironicamente, ela já não é mais a líder absoluta no próprio mercado.
E agora, em 2026, um movimento que parecia improvável finalmente aconteceu: a Monster Energy, segunda maior marca de energético do mundo, entrou oficialmente no mercado tailandês.
Pela primeira vez, a principal rival da Red Bull começa a disputar espaço justamente dentra da casa onde tudo começou.
O energético que nasceu na Tailândia
A história começa nos anos 1970, quando o empresário tailandês Chaleo Yoovidhya criou uma bebida chamada Krating Daeng, expressão que pode ser traduzida como “touro vermelho”.
A proposta era simples: um energético forte, voltado para caminhoneiros, trabalhadores e pessoas que enfrentavam longas jornadas.
Anos depois, o austríaco Dietrich Mateschitz conheceu a bebida durante uma viagem à Tailândia e percebeu o potencial global daquele produto. A fórmula foi adaptada, ganhou gás e nasceu a Red Bull internacional.
Hoje, a marca se transformou em um império global de marketing esportivo, presente na Fórmula 1, esportes radicais, eventos de Muaythai e patrocínios em praticamente todas as modalidades.
Mas a Red Bull não lidera na Tailândia
Apesar de ser o berço da Red Bull, o mercado tailandês de energéticos é dominado por marcas locais.
A principal delas é a M-150, criada em 1985. Atualmente, ela responde por cerca de 32% de todos os energéticos vendidos no país. Em outras palavras: praticamente uma em cada três bebidas energéticas consumidas na Tailândia é um M-150.
O domínio da M-150 pode ser visto em qualquer lugar. A marca está presente em lojas de conveniência, academias, mercados, canteiros de obras e, principalmente, em eventos esportivos.
A relação do M-150 com o esporte é antiga. A marca sempre investiu fortemente em Muay Thai, patrocínio de atletas e campanhas ligadas à força física, resistência e trabalho duro — valores que fazem parte da cultura tailandesa.
Enquanto isso, o Krating Daeng, versão original da Red Bull vendida na Tailândia, perdeu espaço ao longo dos anos e hoje ocupa uma posição bem menor no mercado local.
A disputa global entre Red Bull e Monster
No cenário internacional, o mercado de energéticos é praticamente dividido entre duas gigantes.
A Red Bull segue como líder mundial, com aproximadamente 43% do mercado global. A Monster Energy aparece logo atrás, com cerca de 35%.
Juntas, as duas marcas concentram mais de 80% de todo o mercado mundial de energéticos.
Mas havia uma curiosidade: apesar de ser a segunda maior marca do planeta, a Monster nunca esteve presente oficialmente nas pratileiras da Tailândia.
Até agora.
A chegada da Monster ao mercado tailandês
Em janeiro de 2026, a ThaiNamthip — empresa responsável pela Coca-Cola na Tailândia — anunciou oficialmente a entrada da Monster Energy no país.
A estreia acontece inicialmente com duas versões:
- Monster Energy Original, a tradicional lata verde
- Monster Ultra, versão sem açúcar
As duas serão vendidas em latas de 330 ml e distribuídas nacionalmente pela rede da ThaiNamthip, que inclui supermercados, lojas de conveniência, pequenos comércios, hotéis, restaurantes e cafés.
A estratégia da Monster é bastante clara: entrar pelo segmento premium, voltado principalmente para consumidores entre 18 e 35 anos.
Segundo a própria ThaiNamthip, o mercado tailandês de energéticos premium cresce, em média, cerca de 34% ao ano. Isso ajuda a explicar por que a Monster decidiu entrar agora.
Ao contrário das marcas tradicionais da Tailândia, muito ligadas ao trabalhador e ao consumo cotidiano, a Monster quer se posicionar como uma bebida associada à cultura jovem, games, música, vida noturna, esportes radicais e automobilismo.
O Muay Thai pode virar campo de batalha
Existe outro detalhe importante nessa disputa.
A Monster já possui forte presença em grandes eventos esportivos ligados ao público jovem e aos esportes de ação.
No ONE Championship, uma das maiores organizações de esportes de combate da Ásia, a marca aparece frequentemente como patrocinadora. O mesmo acontece no MotoGP, especialmente na etapa da Tailândia em Buriram, um dos maiores eventos esportivos do país.
Por isso, a chegada da Monster pode afetar diretamente um território que sempre pertenceu às marcas locais: o universo do Muay Thai.
Durante décadas, M-150, Carabao Daeng e o próprio Krating Daeng dominaram o patrocínio de eventos, lutadores e academias na Tailândia.
Agora, pela primeira vez, uma gigante internacional chega com força suficiente para disputar esse espaço.
A tendência é que a concorrência aumente não apenas nas prateleiras, mas também em patrocínios, campanhas publicitárias, eventos esportivos e na construção de imagem junto ao público jovem.
A batalha mais simbólica do mercado de energéticos
A entrada da Monster na Tailândia representa uma situação inédita.
O maior rival global da Red Bull passa a disputar consumidores exatamente no país onde a marca nasceu.
Mais do que uma simples disputa comercial, esse movimento é simbólico.
É como se, décadas depois de conquistar o mundo, a Red Bull finalmente precisasse defender o próprio território.
A grande questão agora é saber se a Monster conseguirá ganhar espaço em um mercado historicamente dominado por marcas tailandesas — ou se o peso cultural de nomes como M-150, Carabao Daeng e Krating Daeng continuará falando mais alto.