Maximum Fight 7 lota ginásio do Ibirapuera, entrega grandes nocautes e projeta evento para mais de 10 mil pessoas
O Maximum Fight realizou neste sábado, 10 de outubro, sua sétima edição e deu mais uma demonstração da força que o Muay Thai.

O Maximum Fight realizou neste sábado, 10 de outubro, sua sétima edição e deu mais uma demonstração da força que o Muay Thai vem conquistando no Brasil. Com nove combates, grandes nomes do cenário nacional, disputas de cinturão e nocautes de impacto, o evento lotou o Ginásio Mauro Pinheiro, no complexo do Ibirapuera, em São Paulo.
Com capacidade para pouco mais de 3 mil pessoas, o ginásio teve todos os ingressos esgotados quase um mês antes da realização do evento. Um número ainda mais significativo considerando a proposta adotada pelo Maximum Fight, que não cobra pelo acesso do público.
Para as arquibancadas, o ingresso foi disponibilizado mediante a doação de 1 kg de alimento não perecível. Para as cadeiras, além do alimento, o público precisava contribuir com 1 kg de ração para cães ou gatos. As doações foram entregues no momento da entrada no ginásio.
A iniciativa reforça uma característica que vem se tornando uma das marcas do Maximum Fight. Mais do que promover combates, o evento busca transformar cada edição em uma experiência para aproximar o público do Muay Thai praticado em alto nível.
Quem não conseguiu acompanhar presencialmente também teve acesso gratuito. Toda a programação foi transmitida pelo YouTube, sem cobrança, ampliando ainda mais o alcance da competição.
E os números mostraram a resposta do público. Já durante a quarta luta da noite, a transmissão ultrapassava a marca de 5 mil dispositivos conectados simultaneamente, um indicativo importante do interesse por eventos nacionais de Muay Thai quando existe investimento em estrutura, atletas e qualidade de transmissão.
Estrutura técnica e especialistas na transmissão
A sétima edição também contou com uma estrutura técnica formada por profissionais experientes da modalidade.
A arbitragem ficou sob responsabilidade da AMTI, comandada por Paulo Carvalho, reunindo diferentes nomes experientes da arbitragem paulista durante os combates.
Na transmissão, Guilherme Maia, narrador esportivo que já acompanha o Maximum Fight em outras edições, comandou a narração. Ao seu lado esteve Tiago Simão, editor-chefe do Acervo Thai, contribuindo com a leitura técnica dos confrontos.
A equipe também contou com a participação dos árbitros Dener Alexandre e Kleber Araújo nos comentários. A presença de profissionais envolvidos diretamente com as regras e com a arbitragem do Muay Thai acrescentou conteúdo técnico à transmissão, ajudando o público a compreender detalhes que muitas vezes passam despercebidos durante uma luta.
Dalberty Santos abre a noite com nocaute no quarto round
O primeiro combate colocou Dalberty Santos diante de Anderson Tigre.
A luta chegou ao quarto round, mas não precisou alcançar o gongo final. Faltando apenas 23 segundos para o término da parcial, Dalberty encontrou o momento certo para conectar um forte direto de direita.
O golpe atingiu Anderson em cheio e o levou à lona, decretando a vitória de Dalberty Santos por nocaute no quarto round e abrindo o card com uma definição contundente.
Ana Proost e Day Vieira fazem duelo equilibrado nos 55 kg
A segunda luta da noite colocou Ana Proost e Day Vieira frente a frente na categoria até 55 kg.
Ana chegou ao confronto com 1,70 m de altura, 23 lutas e 14 vitórias. Day Vieira, com 1,63 m, carregava uma experiência maior em número de combates, com 35 apresentações e 22 vitórias.
Desde os primeiros rounds foi possível identificar estratégias diferentes. Enquanto havia uma busca maior pelo trabalho em curta distância e pelo clinch de um lado, do outro aparecia a tentativa de administrar o espaço e atacar principalmente as pernas.
No terceiro round, o confronto ganhou uma dinâmica mais física, com forte trabalho de clinch e trocas de joelhadas. O equilíbrio continuou sendo uma das marcas do combate.

Ana conseguiu crescer principalmente no quarto round. A atleta passou a impor melhor seu jogo e conseguiu limitar parte das ações de Day, que tentou trabalhar mais o controle da distância. Os espaços encontrados permitiram que Ana aumentasse sua produção e passasse a ter momentos importantes no confronto.
Jotapê Azevedo conquista cinturão do Portuários Stadium
A terceira luta trouxe um elemento especial para o card. Jotapê Azevedo enfrentou Pedro Sanda em uma disputa válida pelo cinturão do Portuários Stadium.
O combate foi resultado de uma parceria entre o Portuários Stadium e o Maximum Fight. Localizado na Baixada Santista, em São Paulo, o Portuários Stadium se apresenta como o primeiro estádio dedicado ao Muay Thai no Brasil.
Dentro do ringue, Jotapê e Pedro fizeram dois primeiros rounds bastante equilibrados. Técnicos, os dois atletas evitaram exposições desnecessárias e dedicaram boa parte das primeiras parciais ao estudo do adversário.
No terceiro round, Pedro Sanda aumentou sua atividade, enquanto Jotapê passou a encontrar melhores oportunidades para trabalhar as joelhadas. O atleta conseguiu terminar a parcial apresentando uma pequena vantagem.
Foi no quarto round que Jotapê encontrou ainda mais eficiência. Utilizando movimentação, saindo das curtas distâncias e conectando chutes, dificultou o trabalho de Pedro Sanda, que passou a encontrar problemas para estabelecer a distância ideal.
Com a vantagem construída, Jotapê realizou um quinto round inteligente. Administrou as ações, evitou riscos desnecessários e confirmou a vitória, conquistando o cinturão do Portuários Stadium.
Além do título, o confronto simbolizou algo importante para o desenvolvimento da modalidade, mostrando que diferentes organizações podem trabalhar juntas para fortalecer o circuito brasileiro de Muay Thai.
José “Tio Zé” Miguel controla distância e vence Gustavo Pereira
Na quarta luta, José “Tio Zé” Miguel enfrentou Gustavo Pereira em uma proposta diferente dos combates tradicionais do card.
O duelo foi disputado no formato conhecido como Muay Extreme, com três rounds e utilização de luvas de MMA. O estilo ganhou bastante visibilidade internacional nos últimos anos, especialmente por meio de grandes eventos asiáticos.
Tio Zé começou utilizando sua vantagem física e de envergadura. O jab foi uma de suas principais ferramentas para controlar a aproximação de Gustavo, frequentemente seguido por chutes ao fim das combinações.
Gustavo precisava caminhar para frente para diminuir a distância e conseguir colocar seus ataques. Apesar do equilíbrio do primeiro round, Tio Zé conseguiu trabalhar ligeiramente melhor.
A dinâmica seguiu semelhante na segunda parcial. Mesmo recuando, Tio Zé conseguiu administrar o espaço, utilizar o jab para interromper o avanço e finalizar suas ações com chutes.
Gustavo também encontrou bons golpes, mas teve dificuldade para colocar o adversário sob pressão de forma constante.
No terceiro round, principalmente no minuto final, Gustavo aumentou o volume e tentou transformar a luta. Tio Zé, porém, conseguiu sobreviver aos momentos de maior intensidade, recuperar a distância e administrar o confronto até o gongo.

Ao final, José “Tio Zé” Miguel venceu por decisão dos juízes.
Foi justamente durante essa parte do card que a transmissão do Maximum Fight ultrapassou os 5 mil dispositivos conectados, um dos números de destaque da noite.
Lucas “Retz” Lima vence após interrupção antes do quarto round
O quinto combate trouxe Lucas “Retz” Lima contra Marcelo Sayajin.

Marcelo deixou sua proposta clara praticamente desde o primeiro segundo. Depois do gongo, partiu em busca das trocas e mostrou que não pretendia utilizar os minutos iniciais apenas para estudar o adversário.
Lucas, porém, conseguiu administrar melhor as ações e terminou o primeiro round com pequena vantagem.
No segundo, Retz passou a encontrar mais golpes. Marcelo seguia buscando uma luta franca, enquanto Lucas utilizava sua versatilidade para sair das situações de pressão e responder.
A diferença ficou mais clara no terceiro round, quando Lucas passou a controlar melhor o combate.
Entre o terceiro e o quarto round, Marcelo Sayajin aparentemente passou mal e não teve condições de retornar para a parcial seguinte. Com a interrupção, Lucas “Retz” Lima foi declarado vencedor por nocaute técnico.
Rhuam Felipe abre corte e vence Ricardo “Fofo” Max
Na sexta luta da noite, Rhuam Felipe entrou no ringue diante de Ricardo “Fofo” Max.
Campeão mundial, com carreira internacional e experiência adquirida também durante período vivendo na Tailândia, Rhuam entrou como um dos nomes de maior currículo do card.
Ricardo, no entanto, não se intimidou.
No primeiro round, buscou impor seus ataques e encontrou bons momentos utilizando chutes, inclusive na região da panturrilha do adversário.

A partir do segundo round, Rhuam começou a assumir um controle maior da distância e passou a neutralizar algumas das principais ações de Ricardo.
No terceiro round, o ritmo aumentou.
Rhuam encontrou espaço para conectar uma forte cotovelada, abrindo um grande corte na testa de Ricardo. Sentindo que não tinha condições de prosseguir, o atleta se ajoelhou e sinalizou ao árbitro que não poderia continuar.
Rhuam Felipe venceu por nocaute técnico no terceiro round.
Matheus “Pinokio” Silva confirma grande fase com nocaute
Na sétima luta, Matheus “Pinokio” Silva enfrentou Jhonata “Gohan” Farias Silva e apresentou uma das atuações mais dominantes da noite.
Desde o primeiro round, Pinokio tomou o controle do confronto e iniciou um trabalho sistemático nos membros inferiores do adversário.
Os ataques à panturrilha e às pernas diminuíram a mobilidade de Gohan e dificultaram sua capacidade de desenvolver ações ofensivas.
No segundo round, Matheus voltou ainda mais agressivo. Além de aumentar a força de seus ataques, manteve a estratégia de castigar as pernas.
Com 1 minuto e 50 segundos restantes na parcial, mais um ataque certeiro fez Gohan cair. O árbitro iniciou a contagem, mas o lutador não conseguiu se recuperar.
Vitória de Matheus “Pinokio” Silva por nocaute no segundo round.

A atuação reforçou a posição de Pinokio entre os principais atletas de sua categoria no país. O lutador é campeão sul-americano da WMO e da WMC e já possui vitórias importantes no circuito nacional, entre elas um triunfo sobre Rhuam Felipe.
O resultado no Maximum Fight acrescenta mais um capítulo a uma trajetória que o coloca entre os principais nomes a serem batidos atualmente no Brasil.
Thauan Laia acerta cotovelada e nocauteia Weverton Ribeiro
A penúltima luta reuniu Thauan Laia e Weverton Ribeiro.
O primeiro round foi mais estudado. Os dois atletas construíram suas ações com cautela, com Thauan apresentando ligeira vantagem principalmente pela postura e pela execução técnica de algumas movimentações.
No segundo round, Weverton aumentou consideravelmente sua atividade. Começou a colocar mais golpes e a se movimentar melhor, tentando assumir a iniciativa.
Thauan não permitiu, porém, que o adversário trabalhasse sem resposta.
Sempre que era atingido, buscava devolver os ataques. Ao mesmo tempo, tentava controlar a distância e induzir Weverton a avançar, criando oportunidades para contra-atacar.
No terceiro round, Weverton novamente começou ativo, conectando sequências de mãos e finalizando algumas delas com chutes baixos.
Thauan optou por menos volume e maior precisão.
A estratégia funcionou.
Quando faltavam 57 segundos para o fim do terceiro round, Thauan Laia encontrou uma cotovelada certeira no rosto de Weverton. O impacto levou o atleta imediatamente à lona.

O árbitro abriu a contagem, mas Weverton não conseguiu retornar.
Thauan Laia venceu por nocaute no terceiro round, proporcionando um dos grandes momentos da reta final do Maximum Fight 7.
Maximum Fight projeta arena para mais de 10 mil pessoas em 2027
Pouco antes da luta principal, o Maximum Fight já olhava para o futuro.
O sócio-fundador do evento, Leandro Longo, revelou a intenção da organização de realizar uma edição em um espaço consideravelmente maior no próximo ano.
A expectativa é encontrar uma arena com capacidade superior a 10 mil pessoas.
O projeto ganha peso diante do cenário apresentado nesta edição. O Maximum Fight conseguiu esgotar, quase um mês antes, um ginásio com capacidade superior a 3 mil espectadores, mesmo se tratando de um evento dedicado exclusivamente ao Muay Thai.

Levar uma promoção da modalidade a uma arena com mais de 10 mil pessoas representaria um salto importante para o cenário nacional e poderia produzir uma marca de grande relevância também dentro do contexto sul-americano.
A proposta reforça uma mensagem que a organização vem tentando transmitir em suas edições. O Muay Thai possui público, movimenta uma comunidade expressiva e tem potencial para ocupar espaços cada vez maiores dentro do calendário esportivo brasileiro.
Victor “Alemão” Augusto vence revanche contra Rodrigo “Subzero” Lemos
Toda a noite conduziu o público para o reencontro entre Rodrigo “Subzero” Lemos e Victor “Alemão” Augusto.
Os dois já haviam se enfrentado anteriormente, com vitória de Subzero. Desta vez, Victor chegava ao Maximum Fight disposto a mudar a história.
Desde a primeira luta entre eles, Alemão passou por novas experiências na carreira, incluindo a oportunidade de competir internacionalmente. Voltou ao Brasil mais experiente e encontrou na revanche a chance de demonstrar sua evolução.
E foi exatamente isso que aconteceu.
Desde o primeiro round, Victor assumiu uma postura mais ativa. Atacou as pernas e a coxa de Subzero, trabalhou com maior volume e tomou a iniciativa das ações.
Rodrigo tentou responder, mas teve dificuldades para aumentar sua produção.
Ao longo dos cinco rounds, Alemão conseguiu manter um padrão. Produziu mais, administrou melhor a distância e permaneceu confortável dentro de sua estratégia.
Subzero demorou para se tornar mais ativo e permitiu que o adversário acumulasse vantagem sem passar por momentos significativos de pressão.
Victor não apenas produziu mais golpes, como conseguiu conduzir o ritmo do confronto.
Depois de cinco rounds, não houve dúvida na decisão.

Victor “Alemão” Augusto venceu Rodrigo “Subzero” Lemos por decisão unânime, devolvendo a derrota sofrida no primeiro encontro.
Agora, cada um possui uma vitória no confronto direto.
Foi o desfecho ideal para uma noite que mostrou diferentes faces do Muay Thai brasileiro. Houve cinturão, nocautes, cotoveladas, confrontos técnicos, nomes consolidados e atletas buscando espaço.
Acima de tudo, houve público.
Com ingressos esgotados semanas antes, mais de 3 mil pessoas ocupando o ginásio, milhares de dispositivos acompanhando gratuitamente pela internet e um projeto que já mira uma arena para mais de 10 mil espectadores, o Maximum Fight encerrou sua sétima edição mostrando que sua dimensão ultrapassa o resultado de cada luta.
Realizando normalmente entre uma e duas edições por ano, o evento se tornou uma das principais vitrines do Muay Thai nacional e, consequentemente, um dos palcos mais desejados pelos atletas brasileiros.
A sétima edição terminou com Victor “Alemão” Augusto de braços erguidos no centro do ringue. Ao mesmo tempo, deixou uma expectativa ainda maior para o próximo capítulo do Maximum Fight e para o tamanho que o Muay Thai pode alcançar no Brasil.