“Sia Boat” toma atitude imediata após denúncia de injustiça contra atleta tailandesa no SEA Games 2025
Natthadej “Sia Boat” Wachirarattanawong, um dos principais nomes do Muay Thai tailandês, entrou oficialmente com uma queixa junto ao Comitê Olímpico da Tailândia após alegar que a atleta Mongkutphet Phetphrawfa, integrante da seleção nacional, foi prejudicada de forma injusta durante as competições do SEA Games 2025, realizadas na Tailândia.
Rapha R. Chatsetthanan

Bangcoc, Tailândia – 23 de dezembro de 2025
Natthadej “Sia Boat” Wachirarattanawong, um dos principais nomes do Muay Thai tailandês, entrou oficialmente com uma queixa junto ao Comitê Olímpico da Tailândia após alegar que a atleta Mongkutphet Phetphrawfa, integrante da seleção nacional, foi prejudicada de forma injusta durante as competições do SEA Games 2025, realizadas na Tailândia.
Mongkutphet, que competiu na categoria até 45 kg feminino, terminou a competição com a medalha de prata, resultado que, segundo a equipe, não refletiu o desempenho real da atleta. A denúncia foi protocolada na sede do Comitê Olímpico, em Ban Amphawan, distrito de Thewet, e recebida pessoalmente pelo Prof. Assistente Pimon Srivikorn, presidente da entidade.
Questionamentos sobre arbitragem e gestão esportiva
Em entrevista, “Sia Boat” afirmou que o problema vai além de um único combate e expôs falhas estruturais no sistema esportivo do Muay Thai amador.
Ele relembrou casos anteriores, como o de Kaptan, ex-campeão mundial do ONE Championship, que competiu em torneios amadores internacionais, incluindo um campeonato mundial em Dubai. Apesar de conquistar a medalha de ouro, o atleta não recebeu o prêmio financeiro prometido, no valor de 500 mil bahts. Após cobrar publicamente o pagamento, acabou sendo punido pela associação responsável.
Situação financeira dos atletas da seleção
“Sia Boat” também destacou a situação financeira enfrentada por Mongkutphet. Atual campeã do RWS (Rajadamnern World Series), a atleta costuma receber bolsas entre 150 mil e 200 mil bahts por luta no circuito profissional. No entanto, ao integrar a seleção nacional, foi obrigada a passar por três meses de concentração, com a promessa de um auxílio mensal de 27 mil bahts.
Segundo ele, durante esse período, os atletas não receberam nenhum pagamento. Apenas às vésperas do SEA Games foi liberado cerca de 40% do valor total, após descontos de hospedagem e alimentação, resultando em apenas 9 mil bahts por atleta. O valor restante só foi pago um dia antes da final.
Suspeitas de favorecimento nas competições
Outro ponto levantado diz respeito à arbitragem. Ainda nas semifinais, surgiram rumores de que determinadas medalhas estariam “reservadas” para alguns países. Um caso citado foi o de uma atleta tailandesa favorita ao ouro, que perdeu de forma considerada controversa. Inicialmente, comentava-se que a medalha seria destinada à Malásia, mas, ao final, o ouro ficou com as Filipinas.
“O mais doloroso é que nossos atletas foram prejudicados competindo em casa, e não houve nenhum protesto oficial por parte da equipe técnica”, afirmou Sia Boat. Segundo ele, o gerente da equipe sequer acompanhava os atletas de perto e nunca apareceu para prestar apoio.
Críticas à estrutura do Muay Thai amador
Sia Boat foi contundente ao defender uma reforma estrutural no sistema esportivo:
“Existem associações que realmente formam atletas, mas também há muitas que apenas aguardam benefícios. Isso impede o crescimento do esporte. Quem realmente trabalha investe do próprio bolso, enquanto os atletas acabam sendo atacados pela opinião pública.”
Ele também criticou o fato de que a gestão do Muay Thai amador estaria, segundo ele, nas mãos de estrangeiros, questionando a legitimidade de terceiros em controlar e regulamentar um esporte que é patrimônio cultural da Tailândia.
“Não basta a injustiça na arbitragem. Ainda querem se apropriar do Muay Thai. Se o esporte quiser evoluir, a estrutura precisa mudar. Espero que um dia vejamos essa transformação.”
Próximos passos
O Comitê Olímpico da Tailândia informou que irá convocar o Dr. Sakchai Tapsuwan, presidente da Associação de Muay Thai Amador da Tailândia e também presidente da IFMA, para discutir formalmente o caso. A documentação será concluída ainda esta semana, e a reunião deve acontecer na primeira semana após o Ano Novo.